ASSOCIAÇÃO DE TURMA HILDO OLIVEIRA - ATHO


Autor da tela.

 

Histórico da Turma

Fevereiro de 1976, este foi o início. Não para todos, pois muitos entraram na turma após, na Escola Naval, mas o início foi aquele. Históricos de turmas são muito particulares, e as peculiaridades que nos marcaram ao longo de nosso tempo juntos podem fazer pouco ou nenhum sentido para nossos parentes mais próximos. Há algo em toda turma que gera um sentimento fraterno que não se apaga, não se dilui, não importa o tempo que nos afaste. Quando nos reunimos a festa é a mesma, como se não nos houvéramos separado. Históricos também são dinâmicos, e há sempre algo mais a acrescentar, pois a memória da turma é maior que a memória de um só escritor. Assim, outros irão ajudar a enriquecer nosso histórico gradualmente, até torná-lo o mais completo que possamos fazê-lo, mas nunca definitivo.
Pretendo começar apenas com nomes, nomes daqueles que estão há muito afastados ou afastados para sempre, como Virgílio e Hildo Oliveira que, aliás, rebatizou nossa turma como uma derradeira homenagem. Quem ainda se lembra de "Hildo Manero é Toni Oliveira em ´Os embalos de sábado à noite`"? Mas comecemos do início, com nossa primeira baixa, que conheci apenas como um número, 2018, o primeiro a ir-se do Colégio Naval ainda no dia da chegada. Dois dias após veio o segundo, 2046 Martinez. Do seu rosto ainda me lembro, como de todos os demais que relatarei, sem guardar qualquer ordem específica. Começarei pelos "reps", que em nosso primeiro ano compuseram cerca de um quarto de nossa turma. Lembremos que entramos direto para o segundo ano do Colégio, quando a duração do curso passou de dois para três anos, e que os repetentes da turma que pulara do primeiro para o terceiro ano ficaram à meio caminho, no segundo, misturando peculiarmente veteranos e calouros em uma mesma turma, um hábito do Colégio que se encerraria conosco. Somávamos cerca de 130 então, um número pequeno para a época e que tenderia a diminuir cada vez mais.
Os "reps" competiam entre si para ver quem conseguia a pior fama, o que não deixa de ser engraçado, considerando os garotos que todos éramos na época. O último da turma era um "rep", 2131 Reimer, da turma 21. Reimer era na dele, pensando a maior parte do tempo na vida que ficava do lado de fora. Não impressiona que não durasse muito. Pensando na turma 21 me lembro que sua sala se tornou o palco das primeiras partidas de "Rollerball", quando as carteiras eram afastadas para abrir espaço e um dos escaninhos do fundo da sala deixado aberto, a título de gol (alguém ainda se lembra do filme com o James Caan?). Bem, os "reps" formavam um time e os calouros o outro, todos só de meias para poder deslizar os pés no assoalho como se estivéssemos patinando. Havia uma bola de meia e o objetivo era colocá-la dentro do escaninho aberto, com as mãos. Aqueles que se lembram do filme sabem muito bem como Rollerball era jogado, semelhante ao hóquei onde encontrões, safanões e rasteiras são permitidos. A diferença era que o time dos calouros não podia revidar. Muito estimulante.
Mas havia os "reps" mais tranquilos, como Ricardo Paixão, o surfista, e Siqueira Júnior, um ótimo desenhista, e que muito contribuiu para o jornalzinho de nosso tempo, o "Gingilim". E lá estavam Pessanha; Sérgio Motta, o "trombinha"; Costa Fonseca, o "boca de caçapa"; Oliveira Júnior; Casimiro e Novaes Gomes.
Com o tempo os calouros também se tornaram veteranos, o curso do Colégio terminou e seguimos para a Escola, mas nem todos. Allen, Nazareth, Gabardo, Alves, Miranda, Sá Freire, Nogueira, Daumerie, Dráurio, Zardini, Queiroz, "Coronel" Andrade, Marcelo Wangler, Almeida, Ilton Barbosa, Siqueira, Costa Fonseca e, não muito tempo depois, Telmo e Odir. Não foram só esses e ainda não terminou. Há baixas mais recentes mas estas serão tratadas em uma continuação, e outros nomes e histórias serão lembrados, gradualmente e a seu tempo, assim sempre teremos um gostinho de mais. Somos uma excelente turma porque somos nossa turma, mais que uma página possa conter ou que um somente possa lembrar. Não me esqueço do rosto dos que se foram e sei muito bem que, onde quer que estejam, cada um se lembra muito bem de todos nós. Que um dia possamos nos reencontrar, e será como se fora ontem que nos vimos pela última vez.

 

Histórico da ATHO 

 

De longa data, desde 1989, ocorriam reuniões da Turma. Inicialmente, por iniciativa de uns poucos companheiros e de forma um pouco desorganizada, posto que por não haver uma pessoa jurídica estabelecida, não era possível o desconto em folha de mensalidades e todos os eventos tinham que ser rateados pelos participantes, de forma integral. A idéia de se criar a Associação permanecia, porém, faltavam duas tarefas: escolher um nome para ela e aprovar o seu Regimento Interno, que até então só estava em rascunho. Vamos primeiro ao nome e, para tal, teremos que voltar um pouco no tempo... Em 1976, ao ingressarmos no Colégio Naval, começávamos a formação da nossa Turma. Naquele momento, ainda não tínhamos consciência deste importante acontecimento, e, já naquela ocasião, o aluno Hildo Oliveira começava a se destacar, devido à maneira alegre de encarar as dificuldades, aliada ao seu carisma, o que logo o colocou, embora ele não soubesse, com a tarefa de congregar aqueles garotos assustados que acabavam de deixar suas famílias e entravam em uma nova fase de suas vidas. Terminado o Colégio Naval, seguimos para a Escola Naval, com um pouco de experiência, porém ainda cheios de dúvidas e conflitos. Mais uma vez, encontrávamos no nosso amigo Hildo Oliveira um exemplo de companheiro, capaz de enfrentar os desafios com grande determinação e sempre com muita alegria. Finalmente chegamos ao oficialato e cada um escolheu seu rumo. O então Tenente Hildo Oliveira realizava o seu grande sonho, tornando-se um Aviador Naval. Um amigo tão especial tinha que andar acima de nós. Infelizmente Deus precisou de alguém que alegrasse o céu e chamou-o para junto de si. Como mais uma de suas brincadeiras, simplesmente sumiu com o seu helicóptero, não deixando qualquer vestígio. Foi assim que nosso amigo Hildo nos deixou. Com certeza, ele partiu como queria, pois ele jamais permitiria que seus amigos chorassem em seu velório ou enterro. Assim, por um consenso geral da Turma, resolvemos homenagear nosso amigo Hildo, colocando o seu nome na nossa Associação. Faltava, ainda, a segunda tarefa. Com a oportunidade criada pelos cursos de AEM na EGN, em 1998, ao congregarem cerca de 90% da turma, foi finalmente implantada a nossa Associação de Turma, com Estatuto e Regimento Próprios. A primeira Diretoria oficialmente constituída foi a seguinte: Garnier (Diretor-Presidente); Portela (Diretor-Administrativo); Janito (Diretor-Financeiro); e Lunardelli (Diretor-Social). A segunda Diretoria foi: Garnier (Diretor-Presidente); Cardoso Gomes (Diretor-Social); Fernando (Diretor-Administrativo); Genildo (Diretor-Financeiro); e Pedreti (Secretário). Nascia, então, a Associação de Turma Hildo Oliveira, a nossa ATHO. Hoje, não contamos com a presença física do Hildo, mas ele estará presente em cada reunião da Turma e, com certeza, muito feliz, pois era assim que entendia a vida - alegre, com muitos amigos, entre risos, piadas e um boa cerveja gelada. Ao prestarmos esta homenagem ao nosso amigo Hildo Oliveira, colocando o seu nome na nossa Associação de Turma, desejamos que a sua lembrança fique viva em cada um de nós, como um exemplo de amor à vida.

 Inicialmente, gostaria de fazer uma pausa em memória aos nossos amigos que já passaram, mas que neste momento, tenho certeza, aqui estão.

Meu Colégio Naval querido e amado! A você, muito obrigado, por teres sido o meu mestre, por tudo de bom que me deste. Obrigado por me fazer sentir gente, por teres sempre me orientado, com respeito e muito cuidado; novamente eu repito, dormindo e acordado: Meu Colégio Naval querido: Obrigado!

Com lágrimas nos olhos e com aperto no coração digo para todos: quando te vi pela primeira vez não acreditei nos meus olhos, tu foste meu lar, meu castelo e meu abrigo.

Passado todos esses anos eu confesso, CN, tu nunca foste esquecido, em tudo eras lembrado. Pela manhã, à tarde ou mesmo na madrugada, estava eu sempre a relembrar os momentos maravilhosos que juntos ou não me deste a desfrutar.

“De que importa do nauta o berço, se ama a cadência do verso que lhe ensina o velho mar.” (Castro Alves)

Porém, contrariando o poeta, aqui estamos valorizando aquele que foi o nosso berço. O CN foi a base de grandes amizades e o sustentáculo da nossa vida profissional, mas, agora, o quem vem é um vendaval de lembranças, lembranças de um tempo que só se reiniciará com a vinda dos nossos filhos a esta casa e neste momento, nós vamos descobrir novos sentimentos.

E são estes sentimentos desconhecidos que eu sigo nos agradecimentos. Era chegada a hora de deixar parte do seu ser se afastar, seguindo os caminhos que seus instintos sugeriam, era hora de ter que olhar para aquela cama e vê-la vazia e, nesta hora, morder os lábios e engolir a angustia de deixá-lo crescer de deixá-lo vivenciar, sozinho, as suas novas experiências. Mas, com certeza, muitas noites choraram e tiveram de se resignar, pois era este o destino escolhido. A estas pessoas – nossos pais e mães – que, juntos ou separados, tiveram o papel fundamental neste primeiro embarque, que, mesmo chorando por dentro, se despediam aos domingos sempre com palavras de conforto e confiança. A eles, mesmo sabendo que não há palavras que possam exprimir o nosso agradecimento, ouso simplesmente dizer muito obrigado, te amo.

Vinte e cinco anos; viajamos muito e fundeamos em muitas enseadas, mas foi aqui que se iniciou a construção do nosso barco e a este princípio se deve o reconhecimento aos mestres, nossos oficiais e, por que não dizer, nossos veteranos. Eles foram nossos exemplos, exemplos bons e às vezes nem tanto, mas indispensáveis a uma boa formação. Por merecimento e vontade o nosso obrigado.

Como escreveu o nosso amigo Telmo, “a vida dá passos que nos levam aos mais diferentes caminhos”, mas, por força do elo que se fundiu, ela mesma junto com o “fogo mágico”, que inspira aos mais jovens a refletir sobre o futuro e aos mais experientes a homenagear o passado, nos fez convergir para a enseada Baptista das Neves, neste dia de demonstração de Amor à Marinha e à Pátria.

Mas se faz mister relembrar alguns momentos do nosso “Diário de Bordo”:

· No dia 10 de fevereiro de 1976, cerca de 10:30h, a apresentação da grande maioria dos futuros calouros;

· A aula inaugural, que foi proferida pelo professor Victor Chirity;

· Pelotão Tamandaré;

· Primeiro embarque no NDCC Duque de Caxias e a viagem até Itaóca;

· Nosso primeiro licenciamento, no qual, orgulhosos, poderíamos mostrar o nosso “Chiquinho” para a família; para os amigos e no caso de alguns, à namorada; e

· A rústica terrestre, que demonstrou de que material nós estávamos sendo forjados.

Todavia esse passado só se configurou em presente graças aos alicerces que fomos juntando neste caminho; as esposas e filhos, que são a razão e a força para seguirmos remando independente da corrente; vocês são as nossas vidas, obrigado! Aos novos, mas antigos amigos que se juntaram na Escola Naval, sendo que hoje efetivamente não mais vemos diferença, obrigado! A todos da Associação Hildo Oliveira, obrigado!

Ao Comandante do Colégio Naval, autoridades e demais presentes o nosso muito obrigado por engrandecerem e abrilhantarem esta cerimônia.

Sem me estender mais, gostaria de reafirmar à todos os presentes e, principalmente, aos mais modernos, que o “Nosso ideal é bem no alto manter nossa bandeira”.

E que Deus nos abençoes e nos permita retornar em 2026 acompanhados também dos nossos netos ou, quem sabe, bisnetos, para descerrarmos a placa de 50 anos.

Obrigado.

Angra dos Reis, 31 de abril de 2001

 Claudio Pedrosa de Oliveira

  CAPITÃO-DE-FRAGATA

 
 
 

 

 

 

O conteúdo desta homepage é supervisionada pelo CMG RM1 (IM) Filippo
copyright 2004-2019 - Jomar Rocha